Itália Belissima
Por Fabio de Paula e Gustavo Ranieri09.10.09
Fotos: www.sxc.hu
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A espetacular Fontana di Trevi, em Roma; lojas de grife na Via Montenapoleone em Milão; e as famosas gôndolas que circulam pelos canais de Veneza |
Roma, Veneza e Milão se destacam entre as cidades italianas que merecem atenção dos viajantes GLS; e motivos sobram para isso
A Itália está entre os destinos turísticos globais “obrigatórios” para qualquer viajante, seja ele GLS ou não. Centro do Império Romano e berço do Renascimento, o país é desde sempre um dos principais pontos de encontro do planeta e repleto de tesouros arquitetônicos e artísticos que merecem ser visitados mais de uma vez. E três de suas mais fascinantes cidades requerem atenção especial, quer seja pela história, beleza ou por seu charme único: Roma, Veneza e Milão. Entretanto, melhor não esperar simpatia ou delicadeza dos italianos, um povo que tem seu temperamento moldado, pelo menos nos últimos dois mil anos, por uma quantidade inesgotável de gente vinda de fora, que está apenas a passeio ou que resolve viver por lá.
À primeira vista, parece ser antipatia, mas o jeito debochado logo conquista quem resolve conhecer a agitação do povo italiano, que preza por um jeito singular de se comunicar e que tem verdadeira adoração pela comida, pela elegância, pela sensualidade, pelo sorvete e, por que não, pela beleza. Outro detalhe importante: os italianos também dirigem de uma maneira peculiar, e esse é um bom motivo para que você deixe as chaves do carro de lado quando estiver em qualquer uma das cidades do país. Uma vez em área urbana na Itália, abuse do transporte sobre trilhos e caminhe pelos centros históricos, que carregam a responsabilidade de ser epicentro fundamental do nascimento da civilização ocidental contemporânea. Em qualquer cidade da Itália, comece um passeio a partir da estação de trem – todas são próximas do centro histórico e reúnem a melhor infraestrutura para um viajante.
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Max Rossi / Reuters |
Caminhos de ROMA
Listar todos os lugares que merecem ser visitados em Roma neste espaço reduzido é tarefa quase impossível. Mas a melhor maneira para sentir o espírito da cidade é a pé, sem pressa, cruzando seus calçadões e desfrutando ao máximo todos os pontos turísticos que puder. Um bom roteiro começa na Piazza di Spagna, a escadaria que reúne os viajantes e os jovens mais descolados da cidade. Ali passa a Via Del Corso, principal artéria do centro de Roma, com restaurantes e lojas de todos os gêneros. Não muito longe estão outros dois pontos de visitação obrigatórios: o Panteão, com sua imensa cúpula milenar, e a Fontana di Trevi, uma das obras de arte urbana mais belas do mundo. E se todos os caminhos levam a Roma, todos os caminhos de Roma levam ao Vaticano, menor país do mundo e sede da Igreja Católica. Esqueça a postura da instituição em relação à homossexualidade e visite suas preciosidades pela riqueza histórica e cultural: seu museu reúne o maior acervo de esculturas greco-romanas do planeta, além de centenas de obras de arte renascentistas e a indefectível Capela Sistina, com seu famoso afresco pintado por Michelangelo.
Cena gay móvel - Roma não tem um “bairro gay” que reúna grande quantidade de bares, restaurantes e outros estabelecimentos gay-friendly. Uma boa opção para curtir o burburinho da noite é frequentar a Via San Giovanni in Laterano, que, em 2007, foi batizada pela organização Arcigay com o título de “Rua Gay”, localizada no centro da cidade, perto do Coliseu, outro monumento que, com quase dois mil anos de história, é visita obrigatória. Mas o maior destaque da cena romana são as festas itinerantes, como a tradicional label Muccassassina, a balada Coq Madame, que rola nas últimas sextas de cada mês e reúne um público diversificado, a fetichista Leather Club Roma e a label dedicada às meninas, The Venus Rising. No verão (entre junho e setembro), há a concorridíssima Gay Village, evento com diversos shows e baladas nos finais de semana. Importantíssimo: os locais GLS da cidade abrem e fecham com grande velocidade e também é comum as festas mudarem constantemente de local e horário. Procure interagir entre a cena ou busque organizações como a Di’Gay Project e a Arcigay para se inteirar sobre o que “pega” no momento na noite romana.
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Romantismo em VENEZA
A saída da estação de trem central já dá um indício do que é a cidade, considerada por muitos como a mais bela do planeta. Basta cruzar sua porta para se deparar com um de seus inúmeros canais e diversas pontes que levam às vielas exclusivas para pedestres. Veneza é também muito romântica, além de ideal para buscar inspiração em função de sua agitada programação cultural, que inclui grandes festivais internacionais de cinema, arte e arquitetura. Os principais pontos de convergência humana são a Praça São Marcos e a Ponte Rialto. A Rialto é a mais decorada de suas pontes e a que reúne o maior número de comerciantes e transeuntes. Já São Marcos é a única praça de Veneza e, por isso mesmo, sua principal atração turística. Os pilares que sustentam a fachada de seus edifícios servem de abrigo para dezenas de cafés, frequentados pelo jet set mundial. A caminho de um desses dois locais, mesmo com um mapa em mãos, é comum se perder no labirinto de becos, canais, pontes e pátios rodeados de prédios coloridos que se espalham pelas ilhas que definem Veneza. E é justamente essa a graça da cidade que, sem automóveis, é um convite para caminhadas sem destino, ao som das águas e das vozes das pessoas que, há séculos, se cruzam por ali. Para conhecer, porém, o lado mais belo da cidade, é preciso circular pelos seus canais, afinal, as fachadas de seus imponentes Palazzi são todas voltadas para o lado das águas. As gôndolas e seus belos gondoleiros são a forma mais romântica e cara para ver esse prisma e também são o único meio para se chegar aos canais mais estreitos e cheios de histórias. Se a ideia é gastar pouco, utilize os vaporettos, transporte coletivo que circula pelos canais principais.
Noite tranquila - Durante a noite, a cidade se esvazia e transforma-se em um imenso passeio onde todos os gatos são pardos – gatos e gatas que, aliás, provêm de todos os cantos do mundo. São dois os tipos principais de estrangeiros: existem os viajantes de primeira viagem, que passam poucos dias, e há o forasteiro, aquele que volta à cidade para explorar seus becos mais a fundo. Para o viajante GLS, Veneza conta com o luxuoso Hotel Giorgione, declaradamente gay-friendly, mas a cidade oferece pouco atrativo no que se refere à badalação noturna específica. Ainda assim, é imprescindível conhecer os “baccari venezianos”, lugares simples que se assemelham aos nossos botecos, mas que servem excelentes vinhos e comida caseira de qualidade. Outro momento de muita frequência gay na cidade é durante o célebre e popular Carnaval de Máscaras, quando a cidade fica agitada durante 10 dias, normalmente em fevereiro. No restante do ano, para o turista gay que busca uma noite agitada, a alternativa é ir para Pádua, a cidade vizinha (a menos de uma hora de distância) famosa pela secular universidade e que conta com bares, boates e saunas gays.
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MILÃO, capital da moda
Com o maior aeroporto da Itália, Milão é a cidade que conecta os italianos à Europa Ocidental e, também, ao resto do mundo. Tem ares do tipo exportação, com tradição em bom design, e por isso mesmo é considerada uma das capitais da moda planetária. Milão também se organiza ao redor de sua estação de trem central. Ali perto está o Corso Buenos Aires, que é a principal artéria comercial e de serviços milanesa. Mas é na Via Montenapoleone que estão as principais lojas das grifes italianas que são sucesso mundial, como Giorgio Armani ou Versace. Convenientemente, a rua conecta a área da estação de trem ao centro histórico, onde se localiza o famoso Duomo, a catedral de Milão. A construção é um marco da arquitetura gótica e prima pelos excessos, tanto em seu tamanho quanto na quantidade de ornamentos. Ao seu lado, está a Galeria Vittorio Emmanuelle, um centro de compras construído no século 19, mas que, até hoje, é considerado um dos shopping centers mais bem-sucedidos do mundo. Não longe dali fica o Teatro Scala, mais famoso e importante centro de apresentação de ópera do mundo, e o Castello Sforzesco, com um rico acervo de arte medieval e ao redor do qual cresceu a cidade de Milão.
Ferveção eclética - O maior clube gay de Milão é o Nuovo Idea (Via de Castillia, 30), que reúne um público eclético e costuma abrir de quinta a sábado. Já as meninas se encontram no Recycle (Via Calabria, 5), uma organização lésbica que luta pelos direitos da comunidade e, ao mesmo tempo, organiza festas de sexta a sábado na sua sede. Para saber quais as baladas gays mais bacanas que rolam na cidade, uma boa dica é adquirir gratuitamente o Milano Mese, periódico distribuído no posto oficial de turismo na Piazza Duomo, que contém um guia atualizado de bares, restaurantes e eventos em geral.
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Itália Clássica. O roteiro do pacote de 7 noites inclui Milão, Veneza, Roma, Verona, Assis e Florença, passagens aéreas, traslados e passeios culturais. A partir de US$ 2.141. Para mais informações, ligue para (11) 3937-4020 ou (61) 3326-2006.
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