Quem conhece o multi-artista Lufe Steffen sabe que ele era a pessoa ideal para escrever um livro sobre o Grind, a clássica noite de rock para gays e afins da casa noturna paulista A Loca. Ator, cineasta, cantor, jornalista, fotógrafo e produtor de vídeo - ufa! - Lufe compreende como poucos a estética marginal. Tanto que seus curtas-metragens Rasgue Minha Roupa (ganhador de 12 prêmios), Meu namorado é michê (vencedor do Prêmio Porta-Curtas Petrobrás 2006) e Os Clubbers também comem (ganhador do prêmio de Melhor Animação do 7º Festival Mix Brasil) guardam semelhanças propositais com a cultura alternativa brasileira dos anos 70 e 80.
Desde que decidiu lançar-se também nas letras, Lufe começou uma minuciosa pesquisa que resultou em Tragam os Cavalos Dançantes, lançado semana passada na A Loca, claro. Através de depoimentos, vêm à tona os bastidores do Grind e seus personagens bizarros. André Pomba, Michael Love, Alisson Gothz, Victor Piercing, Claudia Wonder, Pedro Alexandre Sanches, entre outros, lembram fatos, boatos, delírios e histórias que marcaram os 10 anos de existência do Grind. Uma história que se confunde com a própria evolução da noite gay paulistana nesse período.
Ao todo, foram entrevistadas cerca de cem pessoas, entre freqüentadores novos e antigos, DJs, performers, divulgadores, promoters, os proprietários da Loca, enfim - todos aqueles que de uma maneira ou de outra, contribuíram para a criação da festa ou que viveram e testemunharam momentos marcantes lá dentro. Esses depoimentos aparecem editados e entrelaçados de forma coerente e gostosa de ler. Cobrem um período que vai desde o tempo em que os freqüentadores do Grind iam para o Madame Satã (outro clássico da noite paulistana) até os novos tempos, de Cansei de Ser Sexy e revisionismo de quem já viveu muito.
Tragam os Cavalos Dançantes tem capa e projeto gráfico de Eduardo Burger, prefácio de Newton Branda e um caderno de fotos no meio do livro, com imagens que imortalizaram tais peripécias.
Tragam os cavalos dançantes. Lufe Steffen. Edição do Autor/Associação Cultural Dynamite. 212 páginas.