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Claudia Wonder
Museo Travesti Del Perú: luta da cidadania trans da América Latina
Por Claudia Wonder29.05.08
Foto: Moisés Pazzianoto
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Foi com iniciativa do filósofo e travesti peruano Giuseppe Campuzano que surgiu em Novembro de 2003 o Museo Travesti Del Perú. O objetivo é preservar a memória da comunidade trans, sua ligação com os outros segmentos da sociedade e, com isso, promover uma nova história do Peru. Uma pesquisa sobre a diversidade e o significado do travestismo presente na cultura peruana, que se manifesta nas artes, na festa patronal e na vida cotidiana do país.
Campuzano conta que há quase 500 anos, os colonizadores espanhóis chegaram na América Latina e tomaram o controle do Império Inca. Antes de suas chegada, existia uma identidade indígena para pessoas que não se viam nem como homem nem como mulher. Os colonizadores proibiram essa identidade, punindo essas pessoas com o açoite e a humilhação pública. "Travesti é um termo moderno que descreve na América Latina as pessoas que transitam por gêneros, sexos e maneiras de vestir e surgiu dessa identidade reprimida. Esta repressão teve ecos em outras partes do mundo, como por exemplo, quando os colonizadores britânicos proibiram os hijras na Ásia Meridional", afirma.
Fotos: Divulgação
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O museu é constituído de uma exposição volante de trabalhos artísticos e peças de informação sobre travestis dos tempos históricos até o tempo presente. A mostra já foi exibida em vários parques, praças, bulevares, mercados, universidades e centros em todo o Peru, incluindo áreas onde travestis trabalham e/ou freqüentam. O espaço não celebra somente travestis. Quer mostrar que a tentativa de categorizar todas os humanos como homem ou mulher traz problemas não somente para as travestis, mas também para outras pessoas. Muita gente não se encaixa nessas categorias. Você pode ter genitália feminina, mas sua bunda ou seios pode não ser grande o suficiente para que seja considerada feminina. Você pode ter um pênis, mas a sociedade pode te deixar com um complexo de que ele é pequeno demais para você ser um homem adequado. Ou então seu corpo pode se encaixar perfeitamente no estereótipo de beleza feminina, mas você deseja viver como um homem. As categorias de sexo, como o gênero, são construídas socialmente – ao menos até certo ponto. Como acontece com o gênero, a socialização regula e reprime a diversidade de sexos. Se contestarmos a categorização de todas as pessoas como homem ou mulher, isso pode acabar com a exclusão das travestis e expandir as possibilidades de todas as pessoas.
Para isso Giuseppe Campuzano sugere que o movimento feminista agregue o movimento trans em sua luta contra o machismo. "As pessoas trans tornaram-se bode expiatório dos dois papéis de gênero e precisam ficar livres da opressão de gênero. Porém, a existência dessas pessoas trouxe novos 'insights' para o pensamento convencional sobre sexo e gênero. Portanto, as reivindicações por direitos das pessoas trans estão intrinsecamente ligadas às metas do movimento feminista. Está na hora de trabalharmos juntas para superar as dicotomias limitantes que restringem a todos nós", destaca o filósofo.
E no Brasil, como seria a condição das pessoas trans na organização da sociedade indígena local? Talvez esteja na hora de nossos antropólogos e estudiosos do movimento GLBT brasileiro empreitarem uma pesquisa a respeito, assim como Giuseppe Campusano está fazendo no Peru. Vocês não acham?
Beijos a tod@s!
Claudia Wonder
Giuseppe Campuzano transformou o material do Museo Travesti Del Perú em um livro que você pode obter entrando em contato através do e-mail giucamp@gmail.com.






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