Um em cada cinco homossexuais do Reino Unido foi vítima de homofobia nos últimos três anos
Por Redação26.06.08
Nos últimos três anos, um em cada cinco gays e lésbicas do Reino Unido foram vítima de agressão homofóbica, revelou uma pesquisa promovida pela organização de direitos LGBT Stonewall e divulgada nesta quinta-feira, dia 26 de junho.
Segundo a entidade, há 3,6 milhões de gays e lésbicas na Grã-Bretanha que convivem com o medo, muitas vezes por parte de seus vizinhos ou colegas de trabalho, de sofrer crimes homofóbicos como espancamento, agressões de ordem sexual, assédio e insultos.
Em entrevista ao jornal The Guardian, o diretor-executivo da Stonewall, Ben Summerskill, disse que essa foi a primeira grande pesquisa a abordar a extensão e a natureza dos crimes homofóbicos no país. "As experiências reveladas são chocantes. Esperamos que nosso sistema de justiça criminal encare os desafios apresentados pela pesquisa", afirmou.
O levantamento feito com 1,7 mil gays, lésbicas e bissexuais teve auditoria da organização não-governamental britânica YouGov. Entre os entrevistados, 12,5% vivenciaram algum tipo de incidente homofóbico nos últimos doze meses e 20% nos últimos três anos. De cada seis vítimas, uma sofreu agressão física, e um em cada oito foi submetido a contato sexual não-consentido.
Três quartos das vítimas de homofobia não apresentaram queixa à polícia porque não acreditavam que fosse haver qualquer tipo de investigação. Dois terços dos entrevistados que prestaram queixa sequer receberam aconselhamento ou apoio de algum tipo de serviço social. Dos crimes efetivamente reportados às autoridades, apenas 1% terminou em condenação.
Quase metade dos gays e lésbicas entrevistados pela pesquisa acreditam que correm mais risco de serem agredidos do que um heterossexual. Para evitar a violência, um terço procura controlar seu comportamento para não criar suspeitas sobre sua homossexualidade. Para 10% dos entrevistados, sofrer algum tipo de violência homofóbica era uma preocupação mais recorrente do que ficar doente ou ter dívidas financeiras.
A pesquisa revelou também que é maior o número de gays e lésbicas que prestam queixa sobre crimes homofóbicos em regiões onde a polícia tem uma política de contratação oficialmente gay-friendly, como em Hampshire, Gales do Sul e Lothian.
Mike Cunningham, porta-voz para assuntos de igualdade da associação que representa os policiais britânicos, considera inaceitável o fato de que um terço das vítimas não prestam queixa à polícia por não confiar nas autoridades. "As descobertas oferecem a nosso serviço uma oportunidade de implementar melhorias reais", concluiu.


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