Em sentença, juiz diz que se Richarlyson for gay deveria largar o futebol
Por Redação03.08.07
Foto: São Paulo F.C.
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Depois de muita polêmica o juiz Manoel Maximiano Junqueira Filho, em uma sentença homofóbica, resolveu arquivar a queixa-crime movida pelo jogador são-paulino Richarlyson contra o diretor-administrativo do Palmeiras, José Cyrillo Junior, que teria sugerido uma suposta homossexualidade de Richarlyson.
Na sentença final o juiz afirma que se o atleta fosse homossexual ele deveria largar o esporte, pois o futebol é para homens viris e não para homossexuais. Maximiano Filho também ressalta que se um homossexual quiser jogar futebol ele deve formar sua própria equipe e uma federação específica.
Após a sentença homofóbica, Renato Salge Prata, um dos advogados de Richarlyson, garantiu que entrará com uma ação de apelação contra a decisão do juiz, a qual ele considera preconceituosa. "Foi uma decisão esdrúxula e homofóbica. Ele confundiu juiz de direito com árbitro de futebol", afirmou Prata.
Homossexualidade no futebol
O "caso Richarlyson", que levantou discussão sobre a homossexualidade dos jogadores de futebol brasileiros, começou a ter destaque na imprensa desde a publicação de uma nota no final de junho, pela Folha Online, que informava que um atleta iria se assumir publicamente na televisão. Mas o assunto "esquentou" na terça-feira, quando o apresentador Milton Neves perguntou a Cyrillo Júnior, ao vivo em seu programa na Rede Record, se o jogador era do Palmeiras.
Sem parar para pensar, Cyrillo respondeu: "Não, o Richarlyson quase foi do Palmeiras (...) O procurador dele tinha assinado um pré-contrato com o Palmeiras em nome dele e depois, no dia seguinte, ele assinou com o São Paulo"...
O foco da discussão, entretanto, logo se ampliou na sociedade, entrando em debate questões como o direito à individualidade e a necessidade do respeito à orientação sexual de cada cidadão, através de posicionamentos oficiais de entidades como o Sindicato dos Atletas Profissionais do Estado de São Paulo e a Associação Brasileira de Gays, Lésbicas e Transgêneros (ABGLT).
Em comunicado assinado por seu presidente, Rinaldo Martorelli, o Sindicato dos Atletas Profissionais do Estado de São Paulo, por exemplo, declarou que "nosso país é livre, sendo que o respeito à individualidade e opção sexual de cada um são uma garantia constitucional, assim como a liberdade de expressão o é para os meios de imprensa. Apoiamos todo atleta, independente de sua cor, raça, religião ou opção sexual, pois se trata de um assunto de sua esfera particular".
Já Léo Mendes, secretário de comunicação da ABGLT, lamentou a forma como a mídia televisiva, especialmente os programas esportivos, tem tratado a questão da homossexualidade dos jogadores.
"É natural que num time de 11 jogadores tenha no mínimo um gay, pois os dados falam em 10% da população como homossexual e o fato de terem uma orientação sexual diversa dos outros que são bissexuais e heterossexuais não desqualifica em nenhum sentido o atleta", declarou Léo Mendes.
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