Richarlyson confirma que pode processar dirigente palmeirense por insinuar que ele é gay
Por Redação29.06.07
Foto: São Paulo F.C.
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Richarlyson, o jogador do São Paulo que virou o centro das atenções na última semana, afirmou que existe sim a possibilidade dele processar José Cyrillo Júnior, dirigente da equipe do Palmeiras, por ter insinuado que ele é homossexual durante entrevista ao programa Debate Bola, da Rede Record.
“Ele foi, no mínimo, imprudente e leviano na sua declaração. É hora de ficar calado, meus advogados já estão fazendo o que é devido", disse à impressa o meia do tricolor nessa sexta-feira, dia 29 de junho, ressaltando que pode vir a mover ação cível e criminal contra Cyrillo.
Na quinta-feira, o dirigente do Palmeiras tinha admitido que cometeu um erro ao citar o nome do jogador no programa, mas que também acreditava não ser necessário um pedido de desculpas. "Errei. Talvez não devesse ter dito o nome dele. Mas foi um ato falho, em nenhum momento quis ser maldoso", afirmou.
Cyrillo Júnior fez questão também de dizer que não é preconceituoso e que acha que sua declaração ganhou uma repercussão muito maior do que o fato em si.
Homossexualidade no futebol
A discussão sobre a homossexualidade dos jogadores de futebol brasileiros começou a ter destaque na imprensa desde a publicação de uma nota, na segunda-feira, dia 25, pela Folha Online, que informava que um atleta iria se assumir publicamente na televisão. Mas o assunto “esquentou” na terça-feira, quando o apresentador Milton Neves perguntou a Cyrillo Júnior, ao vivo em seu programa na Rede Record, se o jogador era do Palmeiras.
Sem parar para pensar, Cyrillo respondeu: "Não, o Richarlyson quase foi do Palmeiras (...) O procurador dele tinha assinado um pré-contrato com o Palmeiras em nome dele e depois, no dia seguinte, ele assinou com o São Paulo"...
O foco da discussão, entretanto, logo se ampliou na sociedade, entrando em debate questões como o direito à individualidade e a necessidade do respeito à orientação sexual de cada cidadão, através de posicionamentos oficiais de entidades como o Sindicato dos Atletas Profissionais do Estado de São Paulo e a Associação Brasileira de Gays, Lésbicas e Transgeneros (ABGLT).
Em comunicado assinado por seu presidente, Rinaldo Martorelli, o Sindicato dos Atletas Profissionais do Estado de São Paulo, por exemplo, declarou que “"nosso país é livre, sendo que o respeito à individualidade e opção sexual de cada um são uma garantia constitucional, assim como a liberdade de expressão o é para os meios de imprensa. Apoiamos todo atleta, independente de sua cor, raça, religião ou opção sexual, pois se trata de um assunto de sua esfera particular".
Já Léo Mendes, secretário de comunicação da ABGLT, lamentou a forma como a mídia televisiva, especialmente os programas esportivos, tem tratado a questão da homossexualidade dos jogadores.
“É natural que num time de 11 jogadores tenha no mínimo um gay, pois os dados falam em 10% da população como homossexual e o fato de terem uma orientação sexual diversa dos outros que são bissexuais e heterossexuais não desqualifica em nenhum sentido o atleta”, declarou Léo Mendes.
Saiba mais sobre o caso:
ABGLT diz que dirigente do Palmeiras desrespeitou os "direitos humanos individuais" de jogador
Sindicato dos Atletas de São Paulo pede respeito "à individualidade e opção sexual de cada um"


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