Parada SP: Ministério da Saúde e ABGLT dizem que cartilha suspensa não fazia apologia às drogas
Por Redação08.06.07
Foto: Gustavo Ranieri/G Online
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A Avenida Paulista durante a Parada do Orgulho GLBT de São Paulo no ano passado |
A Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT) divulgou na tarde dessa sexta-feira, dia 08 de junho, um comunicado sobre notícia publicada pela Folha de S. Paulo (e que repercutiu em diversos outros veículos de comunicação), onde foi noticiado que uma cartilha distribuída aos participantes da Parada GLBT, “orienta como cheirar cocaína” e fazer uso de outras drogas.
“Não fazemos apologia ao uso de drogas, mas entendemos que se trata de um problema de saúde pública – e não de polícia –, haja visto o alto número de pessoas que se infectam com HIV/Aids e outras DSTs a partir do compartilhamento de seringas e de condições insalubres e vulneráveis”, diz um trecho do comunicado da ABGLT.
A polêmica em torno do panfleto foi gerada por conter frases como “Compartilhe a droga, nunca o material a ser usado" ou “Faça uma piteira de papel se for rolar um baseado", que segundo autoridades policiais ouvidas pela Folha se caracterizam como incentivo ao uso de drogas e ao tráfico, que são práticas criminosas.
A Associação da Parada do Orgulho GLBT de São Paulo, diante da polêmica, decidiu suspender a distribuição do material.
Já a ABGLT fez questão também de solicitar, em seu comunicado, que todos os que pretendem participar da Parada no domingo “não portem drogas ilícitas, evitando quaisquer tipos de confronto com a polícia e, com isso, nublando o caráter político-emancipatório do evento”.
"Tenho orgulho e me cuido"
O Ministério da Saúde também se posicionou no final dessa sexta-feira a respeito das informações sobre uso de drogas contidas no panfleto “Tenho orgulho e me cuido” produzido pela Associação da Parada do Orgulho GLBT de São Paulo.
Segundo a assessoria do Ministério, “a estratégia de redução de danos é comprovadamente eficaz, do ponto de vista de saúde pública. Desde que passou a ser adotada pelo Ministério da Saúde, em 1994, observa-se uma forte mudança no perfil da epidemia da Aids no Brasil. Em 1994, 21,4% dos casos de aids notificados no país tinham relação direta ou indireta com o uso de drogas injetáveis. Em 2006, essa relação foi de 9,8%”.
O Ministério, entretanto, observa que alguns dos termos utilizados no folheto “são adaptações dos termos contidos nos manuais de redução de danos para usuários de drogas, usados como referência nas ações de prevenção que, em hipótese alguma, podem ser considerados como incentivo ao uso de drogas. Nesse sentido, o Programa Nacional de DST e Aids do Ministério da Saúde e a Coordenação Estadual de DST e Aids de São Paulo, da Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo, apóiam a decisão tomada pela Associação da Parada do Orgulho GLBT de São Paulo de suspender a distribuição do material, até que o mesmo seja avaliado tecnicamente”.
Clique aqui para ver o comunicado da ABGLT na íntegra.
Clique aqui para ver o comunicado do Ministério da Saúde na íntegra.


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