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Juiz de Fora: uma parada gay "família"

Texto e fotos: Pedro Stephan

Quem vai para a Parada da Cidadania e do Orgulho GLBT de Juiz de Fora pensando que vai ser puro bafom, com muita pinta, colocação e pegação toma o maior susto da vida quando descobre ser exatamente o oposto: é uma parada romântica. Quem vem de fora logo vê que a cidade está em visível prosperidade, tem bons restaurantes, bares charmosos, teatros e, além disso, é limpa, sem violência, as pessoas são bem vestidas, atenciosas e cordiais.

A juventude da cidade é animada, alegre, tem muita gente bonita e o mais interessante é que a população hétero, que talvez como em nenhum outro lugar no Brasil, participou em peso da Parada: os maridões levaram os filhos e as mulheres, a rapaziada hétero entrou no meio da multidão e se jogava lado a lado com gays, lésbicas e transgêneros dando um show de diversidade e democracia.

Para a sorte de todos não houve violência, ou sexo ao ar livre como infelizmente é visto na maioria das grandes paradas. O público gay era composto de uma massa de pessoas comuns, sem exageros no trajar, rapazes e moças vinham em grupos, e muitos casais de gays e lésbicas, tanto jovens quanto adultos, caminhavam juntos abraçados, expressando afeto em público, uma coisa realmente doce e bonita de se ver. Talvez esse estilo tenha como modelo a atitude do casal de gays fundador do Movimento Gay de Minas (MGM), Oswaldo Braga e Marcos Trajano, que sempre deram um bom exemplo ao público, mostrando que homossexual não é sinônimo de freak. É assim que eles têm conduzido com êxito a militância gay da região.

A Parada começou às 14h na Praça Halfeld com discursos onde os militantes gays protestavam contra a discriminação e a homofobia. A Parada acabou só por volta das 20h na praça Antonio Carlos os trios elétricos estacionaram e continuaram tocando música dançante até às 22 horas.

A polícia avaliou o público presente em 120 mil pessoas, mas há quem diga que havia mais. Fato é que além da avenida principal onde ocorria a Parada estar completamente tomada, todas as ruas transversais também estavam apinhadas de gente.

A presença de Jean Wyllys no trio elétrico do MGM causou um verdadeiro frisson no público, que gritava e acenava para o seu ídolo. Jean incansavelmente retribuía os acenos e sorria para todos.

Talvez a participação mais emocionante da Parada tenha vindo da assistência: inúmeras famílias, muitas delas compostas por senhoras já de idade, enfeitaram as janelas e sacadas de suas casas com balões, panos de lamê, se arrumaram pra ver a Parada e acenavam alegremente para o público e para os trios elétricos, uma atitude muito gentil e carinhosa, um bom exemplo para o resto do Brasil.

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