
Militância e muito orgulho garantem 10ª Parada do Orgulho GLBT de Belo Horizonte
Por Márcia Yáskara Guelpa
24/07/07
A 10ª Parada do Orgulho GLBT de Belo Horizonte começou de forma irreverente e, para aqueles que preferirem, chutando o pau da barraca nesse domingo, dia 22 de julho.
Logo no começo chegou a notícia de que, segundo o Corpo de Bombeiros, faltavam ambulâncias, médicos, enfermeiros, brigadistas, documentos e provavelmente algumas coisas mais para autorizar o evento. Mas na verdade estava tudo regularizado e o que sobrava era uma homofobia velada que lá se instalou para não deixar sair uma Parada que, já no início, lotava a Praça 7 de Setembro e as demais ruas e praças ao redor. O som foi cortado abruptamente e um dos DJs ameaçados de ser preso caso colocasse música novamente. Naquele momento foi possível sentir o gostinho amargo dos anos de chumbo.
Entre trancos e barrancos a militância, ajudada principalmente pela vereadora Neusinha Santos, procurava negociar com o pessoal do Corpo de Bombeiros que, irredutível, dizia que o som não poderia ser religado. Depois de muitos debates chegou a ordem para ligar. Acreditamos que ela veio do governador Aécio Neves.
Com o som religado, restava ainda um dos maiores problemas: a Parada não poderia sair, seus trios elétricos estavam proibidos de saírem do lugar. A sugestão que deram era pedir que os manifestantes dispersassem. Foi quando bateu o orgulho mais forte e vários militantes fizeram os seus discursos, sempre apoiados pelo incansável Carlos Magno, presidente do Centro de Luta pela Livre Expressão Sexual de Minas Gerais (Cellos – MG), ONG responsável pela Parada de Belo Horizonte.
Para alguns militantes, como a trans Fernanda, tudo aconteceu porque o movimento GLBT ainda não está suficientemente politizado. Beto de Jesus, muito nervoso, dizia que tudo aquilo havia sido montado com o nosso dinheiro e que o movimento deveria processar o Estado responsabilizando a Polícia e o Corpo de Bombeiros.
Entre uma apresentação e outra do show previsto, os militantes falavam da necessidade da Parada sair, ainda que proibida. Segundo Oswaldo Braga, Presidente do Movimento Gay de Minas, com sede em Juiz de Fora, o Governo de Minas Gerais precisa entender que a participação da sociedade civil é peça fundamental da democracia e que os GLBT precisam se fazer respeitar e exigir os seus direitos.
Somente quando foi percebido que a Parada estava, realmente, impedida de sair, é que a militância resolveu tomar a decisão de não mais acatar tal fato. Foi quando Soraya Menezes, Presidente da Associação de Lésbicas e Minas pediu que todos dessem as mãos e mostrassem que o movimento GLBT é pacífico e, portanto, poderia sair sem esperar a boa vontade daqueles que estavam a impedir o evento. “Esse dia já está marcado pela intolerância e pela homofobia. O que estamos vivenciando hoje é crime. Homofobia é crime”, disse ela.
De mãos dadas a Parada começou a sair, puxada pelas lésbicas, sem trios elétricos, sem música, mas com muita garra e determinação. Podemos dizer que foi a primeira Parada do dia. A segunda, já com a autorização, saiu às 19h com direito a música e seus trios. Precisava tudo isso?
Uma coisa é fato, a polícia que até o começo da primeira Parada nada fazia a não ser aguardar, com certeza, alguma ordem nada simpática, passou a ter um enorme trabalho para coordenar o trânsito. A primeira Parada, com a sua imensa bandeira, invadiu toda a Avenida Afonso Pena, para dar passagem a cerca de 200 mil pessoas.
Por toda a luta, pela coragem e pela politização, parabéns Belo Horizonte!


Tensão da militância momentos antes de cortarem o som
Vereadora Neusinha pedindo que todos se mantivessem calmos
De camisa listrada, o assessor do governador preferiu não subir ao palco
O Secretário dos Direitos Humanos, Milton de Souza
Infopride
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