Rosi Campos
A rainha da Banda do Fuxico
Por Mariane Zendron
Foto: Divulgação /Ary Brandi
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É difícil não relacionar Rosi Campos, 57, com as duas personagens que marcaram seu rosto na TV: a Bruxa Morgana, do Castelo Rá-tim-bum, e a Mamuska, da novela global Da Cor do Pecado.
Atriz, produtora, diretora e jornalista, Rosi vai ficar mais íntima da comunidade gay neste Carnaval. Isso porque ela foi coroada a rainha da tradicional Banda do Fuxico, que faz há oito anos em São Paulo um Carnaval de rua essencialmente gay com direito a vários concursos hilários, como o que elege o cão mais bonito ou o melhor bate-cabelo, por exemplo. Esse ano a banda sai do Largo do Arouche no dia 15 de fevereiro, a partir das 11h.
Nesta entrevista Rosi fala sobre a conquista de direitos LGBT e da falta de espaço para personagens gays na televisão brasileira. E numa brincadeira, ela, que fez a editora Tuca na novela A Favorita – seu último trabalho - conta o que faria se fosse editora de uma publicação voltada para o público gay.
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Sinceramente eu não sei. Mas eu me senti homenageada quando eles lembraram de mim. É uma campanha muito bacana. Tem um cunho de não preconceito e eu acho que sempre que possível podemos contribuir para essas ações que são feitas na cidade. É uma banda muito legal e divertida.
Você acha que o fato de você interpretar personagens fortes pode ter contribuído para a escolha?
Talvez. Acho que a Morgana (do Castelo Rá-tim-bum) e a Mamuska (personagem da novela global Da Cor do Pecado, 2004) têm essa coisa de lúdico e de engraçado. E apesar de ser mais voltada para a educação, a Morgana também tem um exagero que muitos gays gostam.
E como é sua relação com o Carnaval?
Eu sempre gostei. Quando eu era criança, era sócia do clube Pinheiros. Até chorava quando acabava o Carnaval. Eu sempre arrumava alguém para dar uma voltinha no salão, mas gostava mesmo de curtir a música e o barulho. Nas escolas de samba, eu sou apaixonada pela bateria. Acho que é um êxtase, assim como a música clássica tem seus êxtases. Depois de um tempo eu acabei me afastando do Carnaval. E agora estou voltando com tudo.
Você inclusive desfila pela escola paulistana Mocidade Alegre. Como será o desfile deste ano?
Este ano, a escola fala do coração, da força da doação que renova a vida em outra pessoa, e também traz o amor e a beleza. Vou sair no carro Moulin Rouge, que fala do encontro, das mulheres, do cabaret, do can-can. Eu gosto muito da Mocidade. Eles têm um trabalho muito bonito com a comunidade.
Você acha que esses eventos festivos, como a Parada Gay e o Carnaval, podem ser um caminho para a luta dos direitos LGBT? Ou precisamos de atos mais políticos e menos festivos?
A festa é uma manifestação onde você pode se divertir e ver a vida de outra maneira, mais alegre e menos compromissada. A festa é um começo e chama a atenção para essas questões que existem e geralmente são veladas. Acho que o mais importante é que haja organização para diminuir, por exemplo, o preconceito.
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Divulgação /Ary Brandi |
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São personagens que vão até a página três. É difícil para a televisão ter isso, porque é muito visada e existe muita crítica. Mesmo todo mundo sabendo que essas relações existem, as pessoas preferem dizer que não. É uma sociedade hipócrita, sempre foi e sempre será. Quando não der mais para dizer que não, aí se afirmará que a homossexualidade existe.
Se você fosse editora de um veículo LGBT, o que você faria?
Tentaria cobrir ao máximo e de todas as maneiras os assuntos que fazem parte desse universo. Falaria das festas, mas também do lado psicológico, social e até científico do tema.
Como você busca seus personagens?
Na TV não escolhemos, somos convidados, porque nós atores não temos esse poder. O diretor ou o autor da novela te liga e fala que tem um papel para você. Em teatro é diferente, você faz o que quiser.
Quais são seus próximos projetos?
Estou nos longas O Menino da Porteira, que estreia em março, e Carmo, selecionado para a competição internacional do Festival de Sundance 2009. Também busco patrocínio para a peça em que atuo e produzo: Morgana e o Menino Alado.




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