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Sander Simaglio (PV) 629 votos - Alfenas (MG)
Qual é a responsabilidade de ser um LGBT na Câmara?
A maioria dos votos que tive não foi de LGBT. Posso afirmar que esses não foram mais de 10% da minha votação. O povo da cidade votou em mim, confiando em mim. Elegeram um gay assumido e isso pesa muito para o movimento homossexual organizado. A minha responsabilidade é muito grande e eu estou pronto. Alfenas elegeu um gay assumido, de discurso politizado, militante do movimento gay organizado, advogado, criativo, audacioso em realizar em uma cidade do porte de Alfenas a Parada do Orgulho LGBT em suas cinco edições.
Existem projetos seus em prol dos LGBT ou não?
Claro, mas Alfenas é modelo de tolerância para o Brasil. Nesses cinco anos que presidi a única ONG gay da cidade, conseguimos aprovar por unanimidade na Câmara Municipal da Cidade a Lei que pune discriminação a homossexuais, uma das primeiras do Estado, e a lei que institui o Dia Municipal de Visibilidade Lésbica. Anualmente acontece na cidade a já tradicional Semana Sul Mineira da Diversidade Sexual, que culmina com a Parada. Quer dizer, foi feito muito para os LGBT. Criamos e mantemos o centro sul mineiro de referência homossexual, em parceria com o governo federal, a academia de musculação MGA Fitness, projeto em parceria com o governo estadual que trata e previne a lipodistrofia em portadores de aids. Acho que é isso, mas sou um gay assumido na Câmara - coisa rara no Brasil - e em todos os assuntos que iremos tratar terei a veia de militante gay pulsando em mim, não deixando de lado a sensibilidade gay em tudo.
Existe uma explicação para tão poucos candidatos LGBT terem se elegido?
Porque gay não vota em gay. Repare que nenhum gay foi eleito com votos de gays militantes, assumidos. Se fosse assim, elegeríamos os cinco candidatos em São Paulo de uma só vez. Quantos gays votam em São Paulo? Milhares, mas realmente prevalece a premissa que gay não vota em gay. O caso da travesti em Salvador foi uma exceção. Não a conheço do movimento de luta, nunca a vi num encontro de ativistas. Não sei se tem discurso político, creio que não. Foi eleita como um gay caricato, aquele que a TV adora mostrar para nos estereotipar. Essas figuras não me representam. Quem nos elegeu foi o povo hétero, reconhecendo o trabalho de cada um desses militantes gays em sua cidade. Se fôssemos unidos nas urnas, elegeríamos não só vereadores, mas prefeitos, governadores... triste, mas é a realidade.
O que falta para alcançarmos nossos plenos direitos?
União, consciência. Precisamos sair nas ruas "dando pinta" como lá dentro das boates, nos guetos, aí seremos reconhecidos, teremos visibilidade. Quando digo "dar pinta", é assumir, ser a gente mesmo, exigir nossos direitos, nos organizarmos, institucionalizarmos onde ainda não existem ONGs, sermos fortes e unidos. Aí mudaremos a realidade em que vivemos numa outra mais democrática.
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