Serguei - O Divino do Rock
"O mundo perdeu o amor"
Por Gustavo Ranieri
Ele não tem uma mansão, mas tem o Templo do Rock; não oferece festas regadas a drogas e sexo, mas mantém a atitude do rock intacta; nunca vendeu um milhão de discos, mas é conhecido por milhões de pessoas. Sergio Augusto Bustamante, o autêntico e inesquecível roqueiro Serguei, é, sem dúvida, um outsider da cena musical brasileira.
Tanta pedra já rolou em seus 74 anos de idade, que traduzir sua vida em poucas palavras seria como ignorar a história da qual faz parte desde que largou na década de 60 o emprego de comissário de bordo para colocar literalmente os pés na estrada em busca de aventuras, música e paixão.
Do grande público Serguei ficou conhecido, talvez infelizmente, apenas pela ousadia e irreverência, pelo affair com o mito Janis Joplin, pelo sucesso de alguns compactos, como o Alucinações de Serguei (1965), e por ter “transado” com uma árvore, como ele mesmo contou. Mas por trás do mega hair loiro, das lentes azuis, da pele bem tratada e das flores no cabelo à la estilo hippie, Serguei é muito mais do que o homem que com um gesto provocativo, em plena ditadura militar, subiu na estátua do Pequeno Jornaleiro, na Avenida Rio Branco (Rio de Janeiro) para dar boas vindas à liberdade de imprensa.
Na paradisíaca Saquarema, litoral do Rio, o roqueiro fincou residência e já recebeu 17 mil pessoas em sua casa, ou melhor, em seu Templo do Rock, um museu que, através de recortes, fotos, discos e vídeos, reconta a história da década de 60.
Ao lado de Serguei é difícil saber quando se está conversando com um performer, ou com o homem simples que adora sorvete com wafles no café da manhã, gostaria de dar um beijo na boca do Henri Castelli e chora toda a vez que lembra de sua estrela Janis Joplin.
Pouco importa se Serguei gravou apenas alguns compactos e um álbum em sua carreira, ou se os 20 anos em que viveu as mais intensas histórias nos Estados Unidos sejam hoje apenas lembranças. Serguei continua fiel a sua psicodelia e ao seu mundo de paz e amor. O último cantor de rock and roll sobe ao palco nesta sincera entrevista.
Você já tem 40 anos de carreira, mas gravou apenas um disco e alguns compactos. Você lamenta não ter um reconhecimento maior da sua obra?
Veja, a massa me conhece. Eu cantei até em presídio, fiz shows de caridade. Eu percebo isso quando eu saio na rua e o público vem falar comigo. Por exemplo, eu toquei na Virada Cultural em São Paulo ano passado e fiquei sentado em uma cadeira na avenida, porque queria vê ro publico chegando. Em poucos segundos só conseguia ver as câmeras fotográficas, gente filmando, gritando, pedindo beijo. Quer dizer, o povo da rua que passava sabia quem eu era, mas é claro, o Brasil tem 180 milhões de pessoas e tem gente jovem por aí que não conhece nada de nada de ninguém.
Mas você queria ter gravado mais?
Nunca liguei para isso. Meu negocio é show, é cantar e sentir o público. Mas o disco é necessário. A questão é que as gravadoras nunca se interessaram porque não vendia assim como o pop. O produtor Michael Sullivan me dizia: “o povo não é rock Serguei, o povo é pop”. Quando eu comecei eu nem sabia que Rock n' Roll era comportamento. E na rádio só toca pop comercial, se não for comercial não toca. Então quando eu gravei Ouriço, aquela letra é genial, mas não tocava em rádio porque falava de drogas. Mas eu me orgulho de ter dado meu depoimento para o Museu da Imagem e do Som, de ter sido homenageado pelo Paulo Coelho, que é um homem que vendeu 47 milhões de livros no mundo todo. Além disso, eu fiz 25 programas do Flavio Cavalcanti, onde eu fui assistido por donas de casa, costureira, garotões. Foi ali que fiquei conhecido em todo o Brasil. Eu participei de programas em todas as emissoras de TV e ainda participei do Rock in Rio 2 e 3.
Sempre que se fala em Serguei, se menciona o seu affair com a Janis Joplin nos anos 60? Como tudo aconteceu de fato?
Eu morava em Long Island (Nova York) e na primavera de 1968 estava havendo um festival de música e eu tinha uma banda chamada Os Centauros. Lembro que eu estava num parque e olhei para a rua que vem da estação de trem, e vi um cara grande acompanhado de uma mulher com um tipo meio de cigana e pensei: "Um porto-riquenho e uma cigana". Quando eu olhei era o meu amigo Laudir de Oliveira. Ele mais pra frente foi percussionista da famosa banda Chicago. Ele veio até mim e nos abraçamos e ele me disse: "Essa daqui é a Janis Joplin". Eu não acreditei e voltei a perguntar. Ele então me disse: "Serguei, você usa óculos? Então olha bem para ver quem é". Fiquei muito emocionado de conhecê-la. Ela já era bem famosa na época.
|
Foto: Arquivo Pessoal |
|
Serguei com Janis Joplin no Rio de Janeiro |
E dali vocês foram para onde?
Eu a levei para ver eu tocar com Os Centauros. Ela gostou de duas músicas que eu cantei. Depois ela me disse: "você tem muito feeling... Vamos para Califórnia que eu vou te ajudar". Eu disse que tinha que voltar para o Brasil e quando eu voltasse aos Estados Unidos eu telefonava. Depois de um mês, quando voltei, eu a localizei e fui para Califórnia, depois para Los Angeles e em seguida para São Francisco. É muito difícil (Serguei começa a chorar) lembrar, é difícil... Sempre que eu começo a falar me emociono muito, é difícil...
Você chegou mesmo a morar com ela então?
Sim, morei com ela em um hotel. A Janis tinha grana, ela era esperta, inteligente, investia o dinheiro dela. Mas gostava de viver em hotéis para ficar mais perto de tudo. Foi morando com ela que conheci o Jimi Hendrix e o Jim Morrison. Um dia eu vi um carro estacionar no hotel e um negão chamou a Janis. A avisei e ela desceu. Eles discutiram e depois eles se beijaram e o carro foi embora. Perguntei para Janis quem ele era e ela me disse que era o Jimi Hendrix. Fiquei chateado e quieto por uma semana. Um dia ela me perguntou: "Serguei, por que você está assim?". Disse que por causa dela tinha perdido a chance de conhecer o Jimi Hendrix. Ela então disse: "Fica frio, que você vai conhecê-lo". Pouco tempo depois um dia ela chegou e me disse que iríamos a uma festa no Motel Senegal Boulevard. Foi lá que conheci o Jim Morrison, o Hendrix, entre outros.
Mas o reencontro com a Janis no Rio foi a parte mais emocionante, certo? Conte como foi.
Eu cantava em um cabaré. Quando eu a reencontrei no Rio em 1970 eu a levei a noite na boate Holiday, no inferninho de Copacabana, no porão 73, onde eu abria e fechava o show da Darlene Glória. Lá se apresentavam o pessoal da noite, como a Alcione e até uma travesti chamada Elis que imitava Elis Regina. Eu não fico me lembrando das coisas da Janis porque é uma época que não volta mais e que foi uma época maravilhosa da minha vida e da vida de toda a humanidade. Mas a melhor maneira de me lembrar daquela noite foi o que eu contei ao Nelson Motta ( o relato está no livro Música Humana Música, Ed. Salamandra, 1980).
"(...) ele saltava no meio do exíguo palco e com suas lentes de contato violeta e sua longa cabeleira acaju berrava as primeiras palavras de “Tropicália” perante uma platéia que se não estivesse tão desatenta estaria atônita. Janis divertia-se, estava alegre e à vontade. Aplaudiu com entusiasmo e virou mais um gim. Com absoluta certeza, entre todos os casais (ou em vias de) presentes no local nenhum sequer sabia da existência de uma superestrela internacional chamada Janis Joplin. E muito menos que se tratava da hoje unanimamente considerada como a única cantora branca que conseguiu expressar o sentimento e a negritude dos blues, a criadora de um dos estilos mais pessoais e vigorosos da história da música popular, da milionária vendedora de milhões de discos e ansiada presença em qualquer show. E ela ria e aplaudia, falando alegrias indecifráveis em seu sotaque sulista e alcoólico.
A música seguinte, ele fervendo e paralisado no centro do palco, vendo "Ela" aplaudindo e rindo para ele. Era a sua deusa ali, de corpo e alma. Naqueles instantes intensos, Janis queria que ele cantasse mais, tinha entendido o que ele queria dizer, do seu modo - e se alegrado. Desviando seu olhar violeta daquele mitológico rosto que por misteriosa graça se iluminava, adolescente, ele pensou em Joe Cocker antes de soar a pontiaguda e clássica guitarra da introdução de “With a little help from my friends”. Na expressão de Janis, a doçura de reconhecer os primeiros e queridos acordes de uma velha amiga.
“What would you say if I sing out of tune ?” (o que você vai dizer se eu desafinar ?)
No esforço para tentar atingir com sua frágil e sofrida voz os registros inalcançáveis de Joe Cocker já na frase seguinte a canção vinha através de um murmúrio rouco, rouco e desesperado. Incontrolavelmente desafinado. E assim foi até o fim, para ainda mais surpreendentes e calorosos aplausos: com sua sensibilidade aguda, sofrida e generosa, Janis Joplin tinha respondido à pergunta que John Lennon e Serguei faziam na música com sua cumplicidade e aceitação, num puro ato de amor e alegria. Passando da palavra e do sentimento à ação, como era de seu modo, Janis levantou-se e foi para o palco cantar com ele. Ela queria dar um little help a seu friend. Ele era o único que sabia que a americana era Janis Joplin.Nessa noite, uma adolescente do Texas cantou com Serguei num inferninho de Copacabana. Pouco depois ela se deixava morrer, sozinha, em um quarto de hotel da Califórnia; e ele continuava tentando. E se lembrando. E tentando."
Além da Janis, você já teve casos com outras mulheres, mas com muitos homens também. Você... (Serguei interrompe)
Você quer saber se eu sou bissexual? Não, eu sou homossexual mesmo. Na primeira civilização greco-romana as mulheres nasceram para procriar e os homens para se amarem entre si. Na minha adolescência eu tive atração por mulheres, mas desde criança eu olhava um cara e o admirava. Lembro que com uns 18 anos eu namorava a Adrielza. Um dia ela me apresentou a um amigo dela, um louro maravilhoso. Eu percebi que tinham muitos olhares entre eles e fiquei puto. Nós terminamos depois por isso, mas o louro nunca saiu da minha cabeça. Na época conheci um garoto lindo, cor de bronze, olhos azuis. Eu me apaixonei violentamente por ele e ele por mim e depois eu tive outro caso que emendei em outro caso e assim foi. Eu gosto de homens. Eu prefiro muito mais a companhia masculina do que a feminina. Se um cara me agradar e eu o agradar fisicamente, é legal rolar um beijo, um abraço, uma sacanagem, é uma maravilha. Mas se não pintar nada disso, só o papo, as idéias que vão sair entre a gente já é muito bom. E eu não me sinto à vontade para fazer isso com uma mulher, não gosto, são chatas pra caralho.
|
Fotos: Gustavo Ranieri |
Como foram seus relacionamentos com homens?
Meus relacionamentos foram sempre breves porque eu tenho alma de puta (risos). Se eu encontro alguém e a gente se gosta daí rola bem. Eu tive quatro casos sérios, um carioca e três paulistas. Pode ser que eu pague a minha boca maldita e encontre alguém para ficar por mais um tempinho.
Como você compara a liberdade sexual dos anos 60 com a do dia de hoje?
A liberdade sexual dos anos 60 tinha toques que não tem hoje. Era mais doce, tinha mais enredo na parada e hoje não tem. Havia mais amor entre as pessoas, era mais sutil. Hoje é tudo imediato, o mundo perdeu o amor.
Você acha que o Rock n' Roll é um movimento machista ou gay enrustido?
Gay enrustido tem em todos os ambientes e como tem. Eu acho que o mundo é gay e sempre achei. Tudo caminha a passos rápidos para uma bissexualidade inicial. Daí você transa com um cara, com uma mulher, depois com outro cara e mais uma mulher e pode então escolher o que você mais gosta.
Você sofreu muito preconceito?
Muito, imagina eu em 66 durante a ditadura com um sol pintado no rosto, os olhos pintados de preto e os cabelos cheios de flores.
|
|
Como foram suas experiências com as drogas?
Nunca gostei de drogas. Primeiro porque eu sou muito vaidoso e achei que ia ficar com o olho inchado, segundo porque eu sou uma máquina e sou muito elétrico. Não gosto também porque vi meus amigos não voltarem dessas viagens e acho horrível ver as pessoas muito lerdas, por exemplo, por causa de um baseado. Eu sou muito livre, muito aberto, sem encanação com nada. Mas as pessoas pensam que eu sou muito doido.
Você gosta de ser considerado um ícone do rock nacional?
As pessoas me chamam de ícone, arquivo, lenda viva, mas vocês tem que botar no título dessa reportagem: "O divino Serguei". Façam a minha vontade que eu não tenho tanto tempo assim (risos).
Se você é o divino do rock, quem é a divina?
Rita Lee. Ela é intocável, ela pode gravar discoteca, pode gravar até bolero, o que quer que ela toque vira Rock n' Roll. Porque ela tem aquela voz, meu amigo, aquela expressão, aquela inflexão da voz, o comportamento, a maneira de cantar. Só ela, Rita Lee. Ninguém tira o rock de Rita Lee.
Depois de conviver com grandes momentos da música, como você observa a cena musical atual? Ela regrediu muito em qualidade?
Claro, antes as pessoas tinham um estilo. Hoje em dia todo mundo fica com aquele boné ridículo e a porra daquela idiotice chamada hip hop. São modismos. Por exemplo, o rap nada mais é do que um idiota vomitando desgraça no meu ouvido o tempo todo. E são essas as informações que a maior parte dos pré-adolescentes têm no Brasil.
Qual é a sua opinião sobre o Brasil?
O Brasil nada mais é do que um país de miseráveis e mortos de fome, onde crianças ficam no lixão disputando comida e nem ali podem comer em paz, porque tem que disputar a comida com ratos e urubus. E tem brasileiro que põe um abacaxi na cabeça, pinta o pé de verde, a cara de amarela e sai gritando: "Brasil". E são pessoas sem conhecimento de causa, que estão se ufanando de ter nascido em um país maravilhoso, mas que é uma nação podre.
Você acredita que é essa a visão que o mundo tem sobre o Brasil?
Eles riem de nós, da macacada com a bunda desse tamanho rebolando no Carnaval e rindo sei lá do que. Você tem que rir quando a coisa é engraçada. Eu não acho engraçado o que está acontecendo com o Brasil. Meu Deus, pega uma bicicleta, um ônibus, um avião, um trem e chega lá nos Estados Unidos e pede que eles nos dêem, pelo amor de Deus, a fórmula do desenvolvimento. Na minha opinião cada estado brasileiro deveria ser autônomo, como é lá, deveríamos ter apenas dois partidos políticos, o da situação e o da posição. Aqui é uma confusão e nada se resolve.
Mas você enxerga mudanças nesse quadro político-social?
Não, sabe por quê? Porque não há mais tempo. O que tinha de ser feito foi feito. Veja só os Estados Unidos, para eles serem derrubados é quase impossível. Existem livros que não são muito divulgados que contam sobre a intimidade do governo deles. Eles já devem ter base na Lua, base em Marte e ninguém sabe, nem mesmo os americanos. Para que você acha que eles vão tanto para o espaço? Eles foram à Lua para quê? Para botar uma bandeirinha e dizer “chegamos até a Lua”? Você acha que eles perdem tempo com essas merdas? Agora, se fosse o Brasil, ia montar uma escola de samba lá na Lua. Aliás, se o Brasil é a pátria mãe, eu sou o filho da puta.
Mas em outras entrevistas você declara seu amor por São Paulo. Por quê?
Porque hoje São Paulo é a máquina que impulsiona o país. São Paulo é um país, as pessoas acham que é um estado, mas não é. É um país enfiado dentro dessa merda. Daí enquanto a máquina puxa para frente, os filhos da puta puxam para trás. Adoro São Paulo também porque a cabeça é outra, porque tudo é levado a sério. Mas sem dúvida temos nesse Brasil um povo maravilhoso, que me aplaude há 40 anos, que gosta de mim e eu agradeço muito.
Qual é a sua opinião sobre a pirataria?
Você mora num país como esse, você é pobre, miserável e fica revoltado porque teve o dinheiro para comprar o aparelho de DVD, mas fica triste, frustrado, porque somente o playboy tem o dinheiro para chegar numa loja e comprar cinco DVDs originais de uma vez. Então o cara chega ali na banca e encontra o mesmo DVD por 10 reais e assim consegue comprar o mesmo DVD que o playboy compra. Então fodam-se as gravadoras, elas tomaram no cu. Eu não acho que é crime a pirataria. Crime é quem não dá condições as pessoas para elas poderem ter acesso a tudo. Crime é a discriminação que fazem. Se eu posso ter, porque o garotão ali não pode? E se ele vai comprar na esquina é considerado criminoso? Eu não sou contra a isso. Sou contra os países que chegaram ao cumulo da desorganização, da falta de humanidade e da discriminação de proibir o seu povo de terem condições de comprar o seu DVD ou CD.
Depois desses 40 anos de carreira, o que você ainda almeja profissionalmente?
Continuar na estrada até quando eu puder cantar e falar.
E pessoalmente?
Eu gostaria de viver alguns anos a mais. Quero ainda cuidar dos cachorros, cantar, me divertir, curtir essa casa que eu quero que fique aqui como lembrança do meu trabalho durante esses 41 anos e para mostrar o que é o Rock n' Roll. É eterno. Eu tenho orgulho de ter 74 anos. Eu tenho orgulho de ouvir coisas que fazem meu mundo colorir.
Como você encara a morte?
Com curiosidade. Mas sabendo que é uma coisa maravilhosa. Penso na aceitação e na tranqüilidade, você ser envolvido em um momento e de repente você já não está mais aqui, está do outro lado.
|
|
Como você gostaria de ser lembrado?
Fodeu, ninguém faria uma pergunta dessa há 20 anos (risos). Eu não consigo encontrar palavras para dizer ao certo, mas acredito que como uma pessoa que teve como o único objetivo na vida ser feliz e nunca me importar com a opinião das pessoas. Eu quero viver feliz. A vida é emoção, e não se pode matar suas emoções, se não você estará morto.
Do que você sente mais saudade?
Ah, da minha mãe e do meu pai. Muita saudade, muita saudade. E de ter com quem conversar, com quem falar. Hoje em dia é difícil encontrar pessoas capacitadas para isso. Bem que Cazuza dizia: "Ideologia, eu quero uma pra viver".
Clique aqui e confira outras fotos da entrevista.






Assine já a revista 
Infopride