Marcel Schlutt
O astro do pornô alemão
Por Andre von Ah
Fotos: Divulgação
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Ator pornô, escritor, fotógrafo, modelo e possuidor de enorme carisma e alto poder de sedução, Marcel Schlutt é celebridade entre a cena gay européia |
Desde sua estréia na indústria pornográfica alemã, em 2004, quando protagonizou o filme Locked Up, da Cazzo Film, Marcel Schlutt parecia fadado ao sucesso. Em pouco mais de dois anos fez mais oito filmes, suas obras proliferaram em sites adultos de acesso restrito e hoje, aos 29 anos, é um dos atores mais comentados entre o público europeu.
Mas o trabalho de Marcel não se resume a sua atuação em filmes pornô. Pelo contrário, atua também como escritor, fotógrafo e modelo. Já trabalhou, por exemplo, para marcas como Paul Smith e H&M em Londres, tem fotos publicadas em livros especializados e assina uma coluna em uma das maiores revistas gays alemãs, a Du & Ich. Parece muito? Marcel acredita que não. “Sou apenas um gay normal tentando fazer algo com minha vida”, pondera, tranqüilo.
Marcel conversou conosco sobre sua trajetória profissional, a industria pornô alemã (a maior da Europa) e seus planos para o futuro durante um encontro em um bar de Berlim, poucos dias antes de 2007 começar. Onde, aliás, esse repórter que vos fala pôde comprovar na prática todo carisma e poder de sedução do assumido astro: no local, lotado, quase todos presentes olharam para ele e teceram comentários com seus amigos. Além, é claro, das inúmeras piscadas e vários “ois” que Marcel recebeu, alguns retribuídos com gentileza.
Você escreve, fotografa, modela, atua... Como se define de fato?
Sou somente um tipo normal (risos). Trabalhar somente com uma coisa não é o bastante para despertar minha paixão. Como ser somente fotógrafo, ator ou escritor? Eu não sei, preciso ser tudo isso e mais um pouco. Sou somente um tipo normal que está tentando fazer algo com a sua vida. Mas para isso é necessário criatividade.
Como você começou a fazer filmes pornôs?
Quando era adolescente sempre pensava em filmes pornôs e em como gostaria de atuar neles, mas depois de um tempo não pensei mais nisso. No início da minha carreira fiz editoriais de moda, trabalhando como modelo e logo eu estava trabalhando como apresentador para uma emissora de TV gay na Alemanha. Pensei na época que, com isso, conseguiria tudo, mas não foi bem assim. Então me lembrei de Aidan Shaw, minha grande inspiração, um ator pornô que conseguiu uma outra carreira com seus escritos, pensei que poderia seguir pelo mesmo caminho: ficar famoso com filmes pornôs e, então, vender livros. Decidi tentar. No fundo, a pornografia foi um jeito de fazer um nome para mim.
É tudo parte de um plano?
Sim, eu tenho tudo planejado.
Isso parece a história da Madonna...
Sim. E nós temos os mesmos dentes, ou, melhor, o espaço entre eles.... (risos) Mas, falando sério, já que falamos nela, eu não gosto da Madonna. Ela já foi. E agora só está piorando com essa imagem de “dona-de-casa inglesa”, um saco! Não é a Madonna. Não precisamos dela assim. Ela devia voltar a ser como era antes. Particularmente, estou ainda mais cansado dela porque meu ex-namorado é absolutamente louco por ela... Estive com ele durante cinco anos e a Madonna ficou conosco durante todo o tempo. Pensando agora eu vejo o absurdo que era: tínhamos roupas de cama com fotos de Madonna e coisas assim para a casa! Você pode imaginar a estupidez.
Como surgiu o convite para escrever na revista Du & Ich?
Bem, foi quase um acidente. Convidaram-me para escrever uma coluna sob a perspectiva de um cara que vem a Berlim e descobre a cena sexual. Mas só me convidaram por causa do meu trabalho com a industria pornô.
Voltando então ao pornô, o que os gays esperam de um bom filme?
Pintos, cus e nenhum papo. Simples...
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Essa também é sua opinião sobre a cena gay em geral? Que tudo gira em torno do sexo? Por quê?
Sim. Porque são todos homens na cena gay. E homens só conseguem pensar em sexo, corpos e diversão...
Você vive isso em sua vida pessoal?
Naturalmente. Estaria mentindo se dissesse que não. Mas tenho de dizer que estou entediado com isso. Estou entediado com sites de relacionamentos e essa cultura. Não há nada lá, apenas sexo. Às vezes você somente quer bater um papo, mas o sexo sempre aparece primeiro. Para gays é tudo em uma linha consecutiva: festa, drogas, sexo...Em qualquer ordem, especialmente em Berlim. Não sei no Brasil, ou mesmo fora da Europa, mas aqui só existe a dimensão do sexo.
Como isso te afeta?
Bom, por exemplo, um amigo meu mudou-se para Frankfurt há cerca de um ano, não nos vimos durante vários meses até que finalmente ele decidiu vir visitar-me em Berlim. Fiquei muito feliz, o recebi em casa e pensei em vários programas legais para fazermos juntos com nossos outros amigos em comum. Mas, no fim, percebi que ele só veio para visitar os clubes de sexo de Berlim... Ou seja, ele sentia falta da cena sexual e não dos seus amigos. Ficamos todos chateados com ele, mas esse parece ser o caminho da diversão para os gays. O sexo sempre vem primeiro. E não há nada que você possa fazer sobre isso. Mas, para ser honesto, estou já na cena gay há 10 anos e, talvez por isso, esteja assim, tão entediado com isso. Creio que é normal querer fazer outras coisas depois de tanto tempo nesse meio.
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Seu trabalho como fotógrafo, modelo e escritor, de certa forma, também seria uma forma de sair do meio?
De certo modo. O problema comigo é que todos vêem somente a pornografia. Quando saio, todo mundo quer transar comigo e só sabem falar do meu pênis, porque acabaram de ver um filme ou algumas fotos minhas. É realmente bobo isso às vezes. Você pode achar que é divertido, mas se, em um clube, todo mundo se sentir à vontade para vir até você e lhe dizer “Hei, grande filme!”ou “Pinto bom, hein?!” e assim por diante.... Imagine como, depois de cinco ou seis pessoas falarem isso, a coisa se torna ridícula e nada divertida.
E como vai a indústria pornô alemã atualmente?
Só sei sobre como a coisa anda em Berlim. Aqui é tudo muito fetiche: couro, borracha e S/M orientado... É um bocado pesado de fato. A indústria da pornografia de Berlim é hard. Penso que é a mais pesada de toda a Europa. Trabalhei em Londres e em alguns outros lugares e nada se parece com isto. Lá é difícil encontrar caras para fazer o que todos aqui em Berlim fazem...
Falando em fetiche... Você é fetichista?
(Risos) Fascista? Não.
(Risos) Não, fetichista...
Não.
Mas você faz filmes fetichistas...
Sim, mas apenas como trabalho.
Os filmes são sempre puramente trabalho?
Sim. Dos nove filmes que fiz, apenas um foi realmente divertido de fazer, Druck im Schlauch.
Por que apenas esse foi divertido?
Foi a primeira vez que trabalhei com a Wurstfilm, que é uma companhia dirigida por Jürgen Brüning. E ele sabe como trabalhar com gente, é quase uma mãe para nós. E
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os atores e meu trabalho com ele não acabou bem. Tivemos uma briga muito feia: quebrei a porta do seu escritório e ele chamou a polícia, quase fui preso por isso.
Você pensa em abandonar a carreira de ator em breve?
De fato, não quero fazer pornô mais. Quero dizer, sigo aquele lema de “nunca diga nunca”... Agora, por exemplo, estou fazendo um novo filme de Bruce LaBruce e ele tem sempre elementos pornôs nos seus filmes, mas com ele é uma espécie diferente de pornografia: ele não tem vontade de fazer um filme pornográfico de fato.
O que você acha dos homens brasileiros?
Um amigo meu disse-me que realmente devo ir ao Brasil. Ele disse que posso ir e visitá-lo e escrever de lá... Mas o que estou pensando em fazer agora é deixar a Alemanha e ir a Londres ou a Espanha.
E se fosse convidado para fazer um filme pornô no Brasil?
Bom, com certeza eu aceitaria e adoraria.




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