Clodovil Hernandez
"Não sou de direita nem de esquerda, sou transversal"
Por Beto Sato e Ferdinando Martins
Foto: Bauer/ G Online
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Terceiro deputado federal mais votado em SP, com quase meio milhão de votos, |
Durante a campanha para deputado federal por São Paulo, o estilista e apresentador Clodovil Hernandez não fez concessões em busca de votos. De personalidade forte e conhecido por não medir palavras na hora de criticar ou apontar erros, Clodovil manteve a mesma postura independente ao se dirigir a eleitores ou colegas de pleito. O resultado, aparentemente, mostrou que sua autenticidade funcionou para seus fins: aos 70 anos de idade, em sua primeira tentativa de ingressar em cargo público, conseguiu nada mais nada menos que 493.951 votos – e por uma legenda inexpressiva, o Partido Trabalhador Cristão.
É a primeira vez que um homossexual fora do armário entra na lista de parlamentares da Câmara. Mas para quem tem esperanças de que ele seja um defensor da causa homossexual entre seus pares, não custa lembrar que as posições e opiniões de Clodovil sobre temas relativos à comunidade GLBT sempre foram singulares e polêmicas. Ele costuma dizer que não tem “honra de ser homossexual e nem orgulho gay” e já se referiu às Paradas do Orgulho como eventos de “apologia gay”. No entanto, o estilista-apresentador-deputado eleito preocupa-se com a defesa dos direitos humanos e, por tabela, diz que isso beneficiará também os homossexuais, bissexuais e transgêneros.
Em entrevista ao G Online, Clodovil mostra que continua o mesmo: rápido, franco, sem medo ou pudor de dizer o que pensa. E promete cumprir seu slogan de campanha, “Brasília nunca mais será a mesma”.
Por que você, depois de tudo que já fez, resolveu disputar as eleições este ano?
Fiz por mim. A vida é um ato político. A proposta é fazer o que é bom para você em benefício de todos. É muito gostoso fazer o bem para outras pessoas. Por isso eu deixei a televisão, porque a TV não me propiciava mais a chance de fazer bem para os outros. Essa coisa de só ter Ibope, esses assuntos que não interessam nada... Como político, poderei fazer o bem. Pelo menos, vou tentar. A política é em benefício de todos. O bem comum é a essência da política.
E por que você escolheu o Partido Trabalhista Cristão?
Aconteceu casualmente. Eles apareceram e me convidaram. Como eles são de um partido pobre, eu fiquei honrado com o convite.
Qual parcela da população você representa?
Os artistas, não importando de qual arte. Um povo sem artistas não é povo.
Como você avalia o governo Lula?
Mentiroso! De Ali Babá, nosso presidente virou Herodes. O programa Bolsa Família é maravilhoso, mas e a saúde e a educação? Lula levou benefícios para uma parte do Nordeste e o resto não tem nada? Isso é comprar votos. Eu não posso entender como um operário pôde pretender o cargo mais alto do país. É o fim do mundo! Será que as pessoas não viram que ele é um pretensioso?
Você esteve em Juiz de Fora (MG), participou do Miss Brasil Gay (Clodovil apresentou dois números
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Foto:Augusto Rossi/G Online |
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Clodovil em entrevista ao G Online |
Eu não gosto de paradas gays. Se você tem valores, não precisa ficar mostrando para todo mundo. Fui até lá como artista e apresentei um trabalho artístico.
Como você espera ser tratado em Brasília?
Eu serei sempre achincalhado como viado, e lá na Câmara deve ser assim também. Mas eu sei me defender. Vou exigir respeito.
Como você pretende trabalhar no Congresso Nacional?
Tudo é muito novo para mim. Tenho até janeiro para estudar como funcionam as coisas no Congresso e aí sim vou poder responder melhor a esta pergunta. Como sempre digo, não sou de direita nem de esquerda, sou transversal.
Você já foi procurado por militantes GLBT. Vai defender esse segmento?
Na verdade, o que precisa ser feito no Brasil é a defesa dos direitos humanos, o que inclui homossexuais. As pessoas têm de ter seus direitos assegurados porque são humanas, não porque são gays. Procuro levar coisas boas para as pessoas, independente de qualquer fator, como a orientação sexual.
Você já declarou que é contra o casamento gay. É verdade?
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Foto: Divulgação |
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O atual deputado em cena do espetáculo Eu e Ela (2006), onde divagava sobre sua visão do |
Sou a favor do reconhecimento de direitos e, por isso, sou favorável à parceria civil porque respeita os direitos humanos nos casos de direitos de herança ou pensão. As cláusulas dos contratos devem ser abrangentes para incluir gays, lésbicas, bissexuais, o que quer que seja. Agora, se fala muita bobagem sobre casamento gay, não é verdade? Dois homens entrando numa igreja juntos? O que é isso, meu amor?
Você apóia programas já em andamento, como o Brasil sem Homofobia?
Continuo afirmando minha regra básica: é benéfico para os direitos humanos? Se sim, eu apóio. Isso vale para qualquer projeto, programa ou iniciativa, mas antes preciso acreditar neles. Por isso, também, estou estudando como funciona a Frente Parlamentar Mista pela Livre Expressão Sexual.
Para finalizar, mudando totalmente de assunto, dá a dica para nós: como você mantém as pernas tão bem cuidadas?
Não sei! Eu não faço nada para elas, mas faço geriatria há 40 anos, tomando remédios. Veja: não tenho manchas senis (diz mostrando as mãos).
Leia na G Magazine de novembro (edição 110) uma análise completa sobre as candidaturas GLBTs nas eleições 2006




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